Alzheimer dá isenção do Imposto de Renda?
Resposta rápida
Sim. O aposentado, pensionista ou militar reformado com Alzheimer tem direito à isenção do Imposto de Renda, pois a doença se enquadra na alienação mental da Lei 7.713/88. Não exige interdição nem estágio avançado, desde que o laudo comprove o quadro de alienação mental. Também pode caber a restituição, em regra dos últimos cinco anos, conforme a data comprovada do diagnóstico e a existência de Imposto de Renda retido.
A doença de Alzheimer dá direito à isenção do Imposto de Renda. Quem é aposentado, pensionista ou militar reformado e foi diagnosticado com Alzheimer pode deixar de pagar o imposto sobre os proventos e, conforme o caso, recuperar valores descontados indevidamente. Este guia explica como a lei trata a doença, quem tem direito, quais rendimentos ficam isentos, como deve ser o laudo, o passo a passo do pedido e o que fazer se a resposta for negativa.
Alzheimer dá direito à isenção do Imposto de Renda?
Sim. O direito está no artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88. A lei não cita o Alzheimer pelo nome, mas o enquadra na categoria de alienação mental, que abrange as demências. A isenção incide sobre os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma e depende do diagnóstico, não do valor da renda.
No laudo, a doença costuma aparecer com o CID G30 (doença de Alzheimer) ou F00 (demência na doença de Alzheimer). O código orienta o pedido, mas o que decide é o diagnóstico descrito pelo médico. Veja outros códigos na tabela de CIDs que isentam o IR e o guia do CID G30, com os detalhes do código.
Alzheimer e a “alienação mental” da lei
A expressão alienação mental é o termo jurídico que reúne os transtornos mentais graves, incluindo as demências. O Alzheimer é a causa mais comum de demência e, por isso, se enquadra nesse grupo. O mesmo raciocínio vale para outras demências, como a vascular e a frontotemporal, e também para transtornos psiquiátricos graves, como o transtorno bipolar com sintomas psicóticos. Não é o nome popular da doença que define o direito, e sim o enquadramento médico no quadro de alienação mental.
O que o STJ decidiu sobre Alzheimer e isenção do IR?
O STJ já reconheceu que a pessoa com Alzheimer pode ter direito à isenção do Imposto de Renda quando a doença causa alienação mental. Isso é importante porque a Lei 7.713/88 não cita o Alzheimer expressamente, mas prevê a isenção para a alienação mental. Assim, o ponto decisivo é o laudo demonstrar que o quadro clínico se enquadra nessa hipótese legal.
Quem tem direito à isenção por Alzheimer
Tem direito à análise da isenção quem recebe proventos por aposentadoria, pensão ou reforma e tem o diagnóstico da doença. Na prática, isso alcança:
- aposentados pelo INSS;
- pensionistas, inclusive de pensão por morte;
- servidores públicos aposentados por regime próprio (RPPS);
- militares reformados;
- beneficiários de previdência complementar, quando os valores estão vinculados à aposentadoria ou à pensão.
Quem ainda está trabalhando não fica isento sobre o salário da atividade. A isenção por doença grave atinge os proventos da inatividade, e não a renda de quem segue na ativa.
Quais rendimentos ficam isentos e quais continuam tributados
A isenção é específica para os proventos da inatividade ligados à doença. Outras fontes de renda continuam sendo tributadas normalmente. A tabela ajuda a separar:
| Fica isento | Continua tributado |
|---|---|
| Aposentadoria do INSS ou de regime próprio (RPPS) | Salário de quem ainda trabalha |
| Pensão, inclusive pensão por morte | Pró-labore e rendimentos de atividade autônoma |
| Reforma militar | Aluguéis de imóveis |
| Complementação de aposentadoria e previdência privada vinculada à aposentadoria ou pensão, conforme o caso | Lucros, dividendos e aplicações financeiras |
A isenção não depende de interdição ou estágio final da doença
A lei não exige interdição judicial nem estágio final da doença para que o direito seja analisado. O ponto central é a comprovação médica de que o Alzheimer causa quadro compatível com alienação mental. Além disso, a Súmula 627 do STJ afirma que não é necessário demonstrar sintomas atuais ou recidiva da doença para a concessão ou a manutenção da isenção.
Quando o Alzheimer pode não dar direito à isenção
A isenção depende de o laudo demonstrar um quadro compatível com alienação mental, e não apenas um esquecimento leve. Queixas iniciais de memória ou um comprometimento cognitivo leve, sem o quadro de demência descrito pelo médico, podem não ser suficientes. Não é preciso interdição nem estágio final, mas o diagnóstico e o comprometimento precisam estar comprovados. A isenção também alcança apenas os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, e não o salário de quem segue na ativa.
Um exemplo ajuda a entender a diferença. Um aposentado com diagnóstico de doença de Alzheimer (CID G30) e laudo descrevendo o quadro de demência reúne elementos para pedir a isenção. Já um comprometimento cognitivo leve, sem esse enquadramento, normalmente pede uma avaliação médica e jurídica mais detalhada.
Como deve ser o laudo médico
A prova central é o laudo médico que descreve a demência e indica o CID, de preferência emitido por neurologista, geriatra ou psiquiatra. Sempre que possível, peça que o documento registre a data de início da doença e relacione o quadro à alienação mental prevista em lei.
Na via administrativa, costuma-se exigir laudo de serviço médico oficial. Na Justiça, a Súmula 598 do STJ permite que o juiz reconheça a doença por outros meios de prova, sem depender do laudo oficial, quando o diagnóstico está comprovado. Veja o que o documento precisa conter no guia sobre o laudo médico para isenção.
Documentos necessários para pedir a isenção
Como o paciente com Alzheimer muitas vezes não consegue cuidar do próprio pedido, é comum que um familiar, procurador ou curador conduza o processo em seu nome. Vale reunir:
- documento de identificação com CPF e comprovante de residência do paciente;
- laudo ou relatório médico com o diagnóstico de Alzheimer ou demência;
- indicação do CID G30 ou F00, quando possível;
- data aproximada do diagnóstico ou do início da doença;
- exames e relatórios que confirmem o quadro;
- comprovante de aposentadoria, pensão ou reforma;
- contracheques, extratos do benefício ou informes de rendimentos;
- procuração ou termo de curatela, quando o pedido é feito por um representante;
- declarações de Imposto de Renda dos últimos anos, quando houver pedido de restituição.
A lista detalhada está no artigo sobre os documentos para a isenção do IR por doença grave.
Passo a passo para pedir a isenção
O caminho varia conforme quem paga o benefício, mas em geral segue esta ordem:
- Reúna o laudo, os exames e os comprovantes de aposentadoria, pensão ou reforma.
- Se o paciente não puder assinar, organize a procuração ou a curatela para que um familiar o represente.
- Faça o requerimento na fonte que paga os proventos. Aposentados e pensionistas do INSS usam o Meu INSS; servidores aposentados pelo RPPS e militares reformados usam o sistema do próprio órgão pagador.
- Acompanhe o protocolo e verifique a cessação do desconto nos meses seguintes.
- Se houver negativa, demora ou discussão sobre o retroativo, considere a via judicial.
Como recuperar o Imposto de Renda pago a mais
Além de interromper o desconto daqui para frente, é possível pedir a restituição dos valores pagos indevidamente. Em regra, observa-se o limite dos últimos cinco anos para a recuperação, contado conforme a data comprovada do diagnóstico. Quanto mais antiga e bem documentada for essa data, maior tende a ser o período recuperável. Entenda o cálculo no guia sobre a restituição do Imposto de Renda por doença grave.
O que fazer se o pedido for negado
Se a fonte pagadora negar a isenção por entender que o laudo não comprova a alienação mental, o primeiro passo é complementar o relatório médico, pedindo que o profissional descreva o quadro de demência, indique o CID e relacione a doença à hipótese prevista em lei.
Também é importante solicitar a negativa por escrito, guardar o protocolo administrativo e reunir exames, relatórios, prontuários e comprovantes de renda. Quando a recusa vem de formalismo, ausência de laudo oficial ou divergência sobre o enquadramento da doença, a via judicial pode ser analisada para reconhecer o direito e pedir a restituição dos valores pagos indevidamente. O guia completo sobre o que fazer quando a isenção é negada detalha os motivos típicos de recusa e os caminhos para reverter.
Em resumo
O Alzheimer não é citado pelo nome na Lei 7.713/88, mas entra na isenção do Imposto de Renda como alienação mental, categoria que abrange as demências. O direito vale para aposentados, pensionistas e militares reformados, não depende de interdição nem de estágio final (Súmula 627 do STJ) e não alcança o salário de quem segue na ativa. O ponto decisivo é o laudo descrever o quadro de demência e relacioná-lo à alienação mental. Como o paciente nem sempre consegue conduzir o pedido, é comum que um familiar ou curador o represente. Além de interromper o desconto, pode ser possível pedir a restituição dos valores pagos indevidamente, em regra observando o limite dos últimos cinco anos, a data comprovada do diagnóstico e a existência de Imposto de Renda retido.
Se um familiar seu tem Alzheimer e você quer entender o melhor caminho, fale com um advogado especialista em isenção de IR por doença grave. Veja também a lista completa de doenças que isentam o Imposto de Renda e a página sobre isenção do Imposto de Renda para aposentados e pensionistas.
Atuação do escritório
A Fernandes e Parente Advogados Associados atua desde 2003 e, atualmente, dedica-se exclusivamente à isenção do Imposto de Renda para aposentados, pensionistas e militares reformados com doenças graves previstas na Lei 7.713/88. Com atendimento nacional, o escritório reúne ampla experiência prática no tema, com milhares de processos públicos relacionados à isenção de IR e mais de 7.000 registros catalogados em bases jurídicas como o Jusbrasil. Cada situação é analisada de forma individual, a partir do laudo e dos documentos do contribuinte.
Perguntas frequentes
O mal de Alzheimer tem isenção do Imposto de Renda?
Qual é o CID do Alzheimer?
Outras demências também dão direito à isenção?
Precisa de interdição ou curatela para ter a isenção?
Quem ainda trabalha tem isenção sobre o salário?
Pensionista com Alzheimer tem direito?
Militar reformado com Alzheimer tem direito?
Preciso de laudo médico oficial?
Posso recuperar o imposto pago no passado?
Sobre o autor
Renato Parente Santos
OAB/DF 25.815 • Fernandes e Parente Advogados Associados
Formado pelo Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB) em 2004, atua desde então exclusivamente no exercício da advocacia. Com pós-graduação em Direito Tributário pela Fortium/DF, após mais de 20 anos de atuação nas mais diversas áreas do direito, encontrou sua verdadeira realização profissional nas demandas que buscam a isenção de imposto de renda para aposentados e pensionistas portadores de doença grave.
Perfil no LinkedInOutros artigos
Setembro Vermelho 2026: quem tem doença grave do coração pode ficar isento do Imposto de Renda
Setembro Vermelho é o mês do coração. Aposentado, pensionista ou militar reformado com cardiopatia grave pode ficar isento do IR e recuperar o imposto pago.
ArtigosCâncer curado ou em remissão dá isenção do Imposto de Renda?
Curado ou em remissão, quem teve câncer mantém a isenção do IR sobre aposentadoria, pensão ou reforma. A Súmula 627 do STJ dispensa sintomas atuais. Veja como provar.
Tem dúvidas sobre este tema?
Fale com nossa equipe jurídica: atendimento gratuito e sem compromisso, com advogados especialistas em isenção do Imposto de Renda.
Falar com a equipe jurídica