Nefropatia grave dá direito à isenção do Imposto de Renda? Guia 2026
Resposta rápida
Sim. O aposentado, pensionista ou militar reformado com nefropatia grave (doença renal crônica avançada, inclusive em hemodiálise) tem direito à isenção do Imposto de Renda pela Lei 7.713/88. Também pode ser possível pedir a restituição dos valores pagos indevidamente, em regra observando o limite dos últimos cinco anos, a data comprovada do diagnóstico e a existência de Imposto de Renda retido.
A nefropatia grave, nome técnico para a doença renal grave, é uma das doenças que dão direito à isenção do Imposto de Renda. Quem é aposentado, pensionista ou militar reformado e tem comprometimento renal grave pode deixar de pagar o imposto sobre os proventos e ainda recuperar o que foi descontado. Este guia explica o que entra como nefropatia grave, quem tem direito, o caso da hemodiálise e do transplante, como deve ser o laudo, o passo a passo do pedido, como declarar no IRPF e como recuperar valores pagos a mais.
Nefropatia grave dá direito à isenção do Imposto de Renda?
Sim. O artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88 inclui a nefropatia grave entre as doenças que isentam o Imposto de Renda. A isenção incide sobre os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma e depende do diagnóstico, não do valor da renda. No laudo, a doença renal crônica costuma aparecer com o CID N18. Veja outros códigos na tabela de CIDs que isentam o IR.
O que é nefropatia grave e o que significa na Lei 7.713/88
Nefropatia grave é a doença renal em estágio avançado, em que os rins perdem parte importante da capacidade de filtrar o sangue. Na prática, o termo abrange a doença renal crônica (DRC) em estágio 4 ou 5, a insuficiência renal com indicação de hemodiálise ou diálise peritoneal e os casos com necessidade de transplante renal. “Nefropatia” significa doença dos rins; “grave” indica que o comprometimento da função renal é sério e duradouro.
A Lei 7.713/88 usa a expressão “nefropatia grave” para se referir a doenças renais graves que comprometem de forma importante a função dos rins.
Na prática, muitos laudos não usam exatamente a expressão “nefropatia grave”. O diagnóstico pode aparecer como doença renal crônica, insuficiência renal crônica, doença renal terminal, nefropatia diabética, glomerulonefrite crônica, DRC em estágio 4 ou 5 ou outra condição renal grave. A causa também não importa: a nefrite lúpica, provocada pelo lúpus, quando grave, se enquadra da mesma forma.
O ponto principal é a comprovação médica da gravidade do quadro. Exames de função renal, relatórios de nefrologista e histórico de hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal ajudam a demonstrar que a doença se enquadra como nefropatia grave para fins de isenção do Imposto de Renda.
Quem tem direito à isenção por nefropatia grave
Tem direito à análise da isenção o aposentado, pensionista ou militar reformado com diagnóstico de nefropatia grave. Na prática, o direito pode alcançar:
- aposentados pelo INSS;
- pensionistas, inclusive de pensão por morte;
- servidores públicos aposentados por regime próprio (RPPS);
- militares reformados ou na reserva remunerada;
- beneficiários de previdência complementar, quando os valores estiverem vinculados à aposentadoria ou à pensão.
Quem ainda trabalha não fica isento sobre o salário da atividade. A isenção por doença grave atinge os proventos da inatividade, e não toda renda recebida pela pessoa.
Quais rendimentos ficam isentos e quais continuam tributados
A isenção por nefropatia grave não torna todos os rendimentos isentos. Ela alcança os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Outras fontes de renda continuam sendo tributadas normalmente.
| Ficam isentos | Continuam tributados |
|---|---|
| Aposentadoria do INSS | Salário de quem ainda trabalha |
| Aposentadoria de servidor público (RPPS) | Pró-labore |
| Pensão, inclusive pensão por morte | Aluguéis de imóveis |
| Reforma ou reserva militar | Atividade autônoma |
| Complementação de aposentadoria, conforme o caso | Aplicações financeiras |
| Previdência complementar vinculada à aposentadoria ou pensão, conforme o caso | Lucros e rendimentos empresariais |
Quem faz hemodiálise tem direito?
Em regra, sim. A necessidade de hemodiálise ou de diálise peritoneal costuma indicar uma doença renal grave, compatível com a nefropatia grave da lei. Ainda assim, o direito não decorre do tratamento em si, e sim do diagnóstico comprovado: o laudo e os exames precisam demonstrar a gravidade do comprometimento renal. O panorama completo dos benefícios dessa fase, da isenção à aposentadoria, está no guia sobre os direitos de quem faz hemodiálise.
Quem fez transplante renal mantém a isenção?
Sim, pode manter. O transplante renal não apaga automaticamente o histórico de nefropatia grave nem elimina, por si só, o direito à isenção. A Súmula 627 do STJ afirma que não é necessário demonstrar sintomas atuais nem recidiva da doença para a concessão ou a manutenção da isenção. Por isso, quem teve nefropatia grave reconhecida e passou por transplante pode continuar com o direito, desde que comprove a doença e receba aposentadoria, pensão ou reforma.
Em caso de cancelamento ou negativa após o transplante, vale reunir o laudo, os documentos do tratamento, o histórico da doença renal e a negativa por escrito para avaliar a melhor forma de pedir o reconhecimento do direito. O tema tem um guia dedicado, que cobre também os transplantes de fígado, coração e outros órgãos: transplantado e a isenção do Imposto de Renda.
Quando a nefropatia grave não dá direito à isenção
Nem toda alteração renal garante a isenção. A Lei 7.713/88 fala em nefropatia grave, então um exame isolado alterado ou um quadro renal leve, sem comprometimento importante da função dos rins, pode não ser suficiente. O laudo precisa demonstrar a gravidade, e não apenas registrar uma doença renal.
Um exemplo ajuda a entender a diferença. Um aposentado em hemodiálise, com doença renal crônica avançada comprovada por exames de função renal e relatório do nefrologista, reúne elementos para pedir a isenção. Já quem tem uma alteração renal inicial, sem comprometimento relevante, normalmente precisa de uma avaliação médica e jurídica mais detalhada antes de pedir o benefício.
Como deve ser o laudo médico
A prova central é o laudo médico, de preferência emitido por nefrologista, que descreva a doença renal e a sua gravidade, indique o CID e venha acompanhado dos exames pertinentes, como creatinina, ureia, taxa de filtração glomerular e proteinúria. Sempre que possível, peça que o documento registre a data de início da doença e o tratamento realizado.
Na via administrativa, costuma-se exigir laudo de serviço médico oficial. Na via judicial, a Súmula 598 do STJ dispensa o laudo oficial quando a doença está comprovada por outros documentos. Veja o que o laudo precisa conter no guia sobre o laudo médico para isenção.
Documentos necessários para pedir a isenção
Para pedir a isenção do Imposto de Renda por nefropatia grave, vale reunir:
- documento de identificação com CPF e comprovante de residência;
- laudo ou relatório médico com diagnóstico de nefropatia grave, doença renal crônica ou insuficiência renal grave;
- exames de creatinina, ureia, taxa de filtração glomerular, proteinúria ou outros exames renais;
- relatórios de nefrologista;
- comprovantes de hemodiálise ou diálise peritoneal, quando houver;
- documentos sobre transplante renal, quando houver;
- data aproximada do diagnóstico ou do início da doença;
- comprovante de aposentadoria, pensão ou reforma;
- contracheques, extratos do benefício ou informes de rendimentos;
- declarações de Imposto de Renda dos últimos anos, quando houver pedido de restituição.
A lista detalhada está no artigo sobre os documentos para a isenção do IR por doença grave.
Passo a passo para solicitar a isenção
O caminho varia conforme quem paga o benefício, mas em geral segue esta ordem:
- Reúna o laudo, os exames e os comprovantes de aposentadoria, pensão ou reforma.
- Faça o requerimento na fonte que paga os proventos. Aposentados e pensionistas do INSS usam o Meu INSS, pela internet, com ida ao posto apenas se houver convocação para perícia; servidores do RPPS e militares reformados usam o sistema do próprio órgão pagador.
- Acompanhe o protocolo e verifique a cessação do desconto nos meses seguintes.
- Avalie o pedido de restituição dos valores já descontados.
- Se houver negativa, demora ou discussão sobre o retroativo, considere a via judicial.
Como declarar a isenção por nefropatia grave no IRPF
Depois do reconhecimento da isenção, os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma devem ser informados na ficha de rendimentos isentos e não tributáveis da declaração anual, e não como rendimentos tributáveis. Se anos anteriores foram declarados como rendimentos tributáveis, pode ser necessário retificar as declarações para corrigir a classificação e viabilizar a restituição. O acesso é feito pelos sistemas da Receita Federal, como o e-CAC.
Como recuperar o Imposto de Renda pago no passado
Além de interromper os descontos futuros, quem teve Imposto de Renda retido indevidamente após o diagnóstico pode pedir a restituição dos valores pagos a mais. Em regra, a recuperação observa o limite dos últimos cinco anos, a data comprovada do diagnóstico e a existência de imposto efetivamente retido.
A restituição pode ser buscada administrativamente, por retificação das declarações e procedimentos próprios da Receita Federal, ou judicialmente, especialmente quando há negativa, demora, divergência sobre a data de início do direito, ausência de laudo oficial ou discussão sobre valores retroativos. Entenda o cálculo no guia sobre a restituição do Imposto de Renda por doença grave.
O que fazer se o pedido for negado
É comum a via administrativa negar a isenção, por exemplo após um transplante bem-sucedido, o que contraria a Súmula 627 do STJ. Diante de uma negativa, peça o documento por escrito, guarde o protocolo e complemente o relatório médico, se preciso, com o CID, a gravidade do quadro e o histórico do tratamento.
Quando a recusa vem de formalismo, ausência de laudo oficial, divergência sobre a data de início do direito ou retroativo não pago, a via judicial pode ser analisada para reconhecer o direito e buscar a restituição dos valores pagos indevidamente. Nas ações de isenção, a idade avançada e a doença grave costumam dar prioridade na tramitação. O guia completo sobre o que fazer quando a isenção é negada detalha os motivos típicos de recusa e os caminhos para reverter.
Em resumo
A nefropatia grave está entre as doenças que isentam o Imposto de Renda na Lei 7.713/88, desde que o comprometimento renal seja grave e comprovado. O benefício alcança aposentados, pensionistas e militares reformados, e não o salário de quem segue na atividade. O laudo deve descrever a doença renal e a sua gravidade, indicar o CID, registrar os exames de função renal e, quando houver, o histórico de hemodiálise, diálise ou transplante. Além de interromper o desconto, pode ser possível pedir a restituição dos valores pagos indevidamente, em regra observando o limite dos últimos cinco anos, a data comprovada do diagnóstico e a existência de Imposto de Renda retido.
Se você tem doença renal grave, faz diálise ou fez transplante e recebe aposentadoria, pensão ou reforma, vale reunir a documentação e buscar uma análise. Fale com um advogado especialista em isenção de IR por doença grave, confira a lista de doenças que isentam o Imposto de Renda e a página sobre isenção do Imposto de Renda para aposentados e pensionistas.
Atuação do escritório
A Fernandes e Parente Advogados Associados atua desde 2003 e, atualmente, dedica-se exclusivamente à isenção do Imposto de Renda para aposentados, pensionistas e militares reformados com doenças graves previstas na Lei 7.713/88. Com atendimento nacional, o escritório reúne ampla experiência prática no tema, com milhares de processos públicos relacionados à isenção de IR e mais de 7.000 registros catalogados em bases jurídicas como o Jusbrasil. Cada situação é analisada de forma individual, a partir do laudo e dos documentos do contribuinte.
Perguntas frequentes
O que é nefropatia grave?
Nefropatia grave dá direito à isenção do Imposto de Renda?
Doença renal crônica dá direito à isenção?
Insuficiência renal crônica entra como nefropatia grave?
Quem faz hemodiálise tem direito?
Quem fez transplante de rim mantém a isenção?
Qual CID pode aparecer no laudo?
Quem ainda trabalha tem isenção sobre o salário?
Posso recuperar o imposto pago no passado?
Sobre o autor
Renato Parente Santos
OAB/DF 25.815 • Fernandes e Parente Advogados Associados
Formado pelo Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB) em 2004, atua desde então exclusivamente no exercício da advocacia. Com pós-graduação em Direito Tributário pela Fortium/DF, após mais de 20 anos de atuação nas mais diversas áreas do direito, encontrou sua verdadeira realização profissional nas demandas que buscam a isenção de imposto de renda para aposentados e pensionistas portadores de doença grave.
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